sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Epistemologia Básica e Ensinando Ateísmo para os Ateus

Será que Religião não se discute mesmo?!

Porque a divergência entre religiosos e ateus nunca se acaba? Ou porque a divergência de crença dos Católicos e dos Protestantes também nunca chega em um consenso? É simples, o objeto de discussão está errado, isto é, estamos querendo discutir o que não se deve e não se pode discutir.

Existe uma velha máxima que diz "Religião não se discute". Teimo em dizer que essa afirmação está errada, até porque o meu blog por si só já caminha totalmente contra essa ideia. Na verdade a intenção da pessoa que diz essa frase não é errada, porque existe algo ao se tratar de Religião (e não só de Religião mas de todo e qualquer assunto) que não deve entrar na discussão. Vou explicar isso melhor, mas antes temos que entender alguns conceitos.

Epistemologia

A Epistemologia é um dos principais pilares da Filosofia. Basicamente se trata da teoria do conhecimento, como o ser humano formula ideias, hipóteses, pensamentos, o que é verdade, o que é crença, o que é conhecimento, o que é o saber, como se pode alcançá-lo, etc. É difícil de explicar, mas vamos lá.

Primeiramente devemos ter em mente que não há conhecimento sem crença, ou seja, para que você possa saber alguma coisa você primeiro precisa acreditar naquilo. Por exemplo, eu acredito que o Brasil é um país que fica na América do Sul. Isso é crença, filosoficamente falando. Você não pode conhecer ou saber algo em que você não acredita. Muitos ateus dizem que o ateísmo é a ausência de crença, mas ateísmo não é isso. O ateísmo é uma ideologia, uma opinião, portanto é necessário que ele seja baseado em uma crença inicial, que é a crença na não existência de um Deus ou divindade.

Parece um jogo de palavras  mas não é. Todo conhecimento precisa de uma crença. Em Filosofia, isso é crença, é algo que você acredita e que pode ou não ser verdade. Não é possível conhecer ou saber uma falsidade, mas é possível crer em uma falsidade. Por exemplo, eu posso acreditar que o Brasil é um país da Europa, mas eu não posso saber isso, pois se trata de uma inverdade. Nada me impede de acreditar que o Brasil é um país da Europa, mesmo que isso seja uma mentira. Entretanto eu não posso saber que o Brasil é um país da Europa, pois não se pode saber uma inverdade, só é possível saber algo que seja uma verdade.

Filosoficamente falando, opinião é a expressão de uma crença. Ou seja, opinião é expressar ou externalizar algo que acreditamos. Para se atingir o conhecimento é necessário inicialmente uma crença, e essa crença precisa ser verdadeira e justificada. Por exemplo, eu acredito que o Brasil é um país da América do Sul, agora eu preciso demonstrar que isso é verdade. Vamos supor que apontar em um mapa Mundi a localização do Brasil como país da América do Sul seja o suficiente para provar a minha premissa supracitada como sendo verdadeira e justificada. Pronto, agora eu sei que o Brasil é um país da América do Sul!


Olhando para esse diagrama fica mais fácil a compreensão. De maneira resumida, precisamos ter em mente três coisas sobre epistemologia:

1- Não há conhecimento sem crença;
2- A crença tem de ser verdadeira;
3- A crença também tem de ser justificada.

Ou seja, não podemos conhecer algo em que não acreditemos. Não podemos conhecer falsidades. Não há conhecimento se as crenças, apesar de verdadeiras, não forem justificadas.

Voltando ao tema inicial, o que eu queria dizer é que essa discussão entre ateus e Religiosos será eterna enquanto estivermos discutindo opiniões. Não existe opinião errada, porque ao se tratar de crença não existe certo ou errado, existe apenas o que se acredita. O que pode e deve ser discutido é a verdade e a justificação para as mesmas. Enquanto mantivermos nossas discussões em cima do que nós cremos, isso jamais terá um fim ou um consenso. Por isso que sempre existiram tantos embates entre Católicos e Protestantes. Não se pode discutir crenças, opiniões, espiritualidade. O que deve ser discutido, na verdade, é por exemplo a doutrina, que é baseada na verdade.

Não adianta, por mais que uma pessoa tente, ela nunca vai poder mudar a opinião de outra. Quem muda nossa opinião somos nós mesmos, e somente nós. Na cabeça de uma pessoa ela nunca estará errada.

Religião se discute sim, desde que não entre na discussão a opinião individual, desde que a discussão envolva apenas a verdade, a história ou a doutrina de cada Religião. Caso contrário essa discussão será interminável, pois do ponto de vista de cada um, todos estão certos. Eu, do meu ponto de vista e partindo das minhas premissas, estou certo, e o meu interlocutor, do ponto de vista e partindo das premissas dele, ele também está correto! Entendem por que é impossível chegar à um consenso?

E quando se trata de Teísmo e Ateísmo...

E quando se trata de Teísmo e Ateísmo a mesma história se repete. Até porque nem mesmo os que se dizem ateus sabem o que é ateísmo por definição. Um ateu de verdade sabe o conceito de ateísmo e sabe o que isso significa. Um falso ateu, ou ateu de modismo, não sabe o que é o ateísmo conceitualmente. Há os que digam que ateísmo é ausência de Religião, ou que ateísmo é ausência de crença, ou que ateísmo é não acreditar em Deus. Todas essas acima estão erradas, agora vamos partir para o ponto.

Precisamos conhecer alguns conceitos básicos antes de definir nossas posições ideológicas. Posso provar para muitas pessoas que se dizem atéias que elas não o são de fato, e já fiz isso diversas vezes. A grande maioria das pessoas que se dizem atéias nem sequer sabem o que significa ateísmo por conceito, por definição.

Então, chega de enrolação, vamos ao que interessa! (Ebaa!! =D)

O Ateísmo segue por definição a seguinte afirmação:

- Deus não existe.

O Agnosticismo segue por definição a seguinte afirmação:

- Eu não acredito em Deus.

Já o Verificacionismo afirma o seguinte:

- A questão da existência de Deus não tem sentido ou é impossível de ser respondida.

Agora que nós já vimos os conceitos básicos de epistemologia sabemos que há uma grande diferença entre dizer "Deus não existe" e "Eu não acredito em Deus". Na primeira você nega completamente a existência de Deus, ou seja, você mexe com a verdade, e já na segunda se trata apenas de crença. Há uma grande diferença entre não acreditar em algo e afirmar que esse algo não existe, e nós acabamos de falar sobre isso. Isso quer dizer que o verdadeiro ateísmo é uma posição muito perigosa, pois trata de uma afirmativa que deve ser provada ou justificada, diferentemente do agnosticismo que, por ser uma crença, não precisa ser justificada, demonstrada ou provada.

Concluindo...

O que nós podemos concluir com isso? Podemos concluir que a maioria dos ateus na verdade são agnósticos! E o pior de tudo: eles nem sabiam disso! Isso se chama ignorância com relação à ideologia apoiada. Os ditos "ateus" de hoje em dia nem sabem o que é a sua ideologia, o que ela diz, o que ela significa e ainda assim a seguem e militam cegamente. Seria isso algum tipo de doutrinação por parte daqueles que pregam esse tipo de ideologia hoje? Seria isso culpa dos neo-ateus como Dawkins, Hitchens, Harris, e ainda posso incluir PC Siqueira e Felipe Neto? Sim, posso incluir esses vloggers sim, sem sombra de dúvida ou remorso, pois eles são grandes protagonistas na disseminação do neo-ateísmo pela internet, doutrinando jovens e adolescentes a quererem ser como eles para parecerem descolados.

Acorda juventude! Vamos estudar um pouco mais antes de sair por aí falando asneiras!

sábado, 7 de janeiro de 2012

Refutação #3: Aí Vem o Homem Aranha!!

Com sua teia infernal...

Os neo-ateus agora tem um novo parceiro: o Homem Aranha!! É, quem diria, o Aranha se rebaixando a tal ponto. Era um dos meus heróis favoritos. Estou decepcionado...

Eu não consigo acreditar nessa incapacidade de raciocínio dos neo-ateus. Não conseguem abandonar os velhos argumentos, não conseguem deixar para trás as velhas ideias. Depois os religiosos que são ultrapassados, não é?! Eles simplesmente pegaram um argumento velho e abandonado, tiraram as teias de aranha (ironia), lixaram, pintaram e passaram um verniz pra ficar mais brilhoso. Mas no fundo é o mesmo velho argumento. O ser abissal que criou essa imagem deve ter faltado em todas as aulas de filosofia e reprovado no Ensino Médio, isso se ele conseguiu chegar até lá.

O argumento (se é que podemos chamar isso de argumento) é idêntico à velha técnica do "Amigo Imaginário" ou do "Papai Noel", já refutada no post Amigo Imaginário. A técnica consiste em comparar a crença em Deus com a crença em seres imaginários ou seres como o Papai Noel, duendes, fadas, unicórnios, etc. Só há uma coisa diferente, o ser usado na comparação, no caso o Homem Aranha. Espero que a moda não pegue, senão logo teremos uma Liga da Justiça pra refutar.

O fato é que o Homem Aranha e Deus estão em esferas de discussão completamente diferentes. O Homem Aranha é um ser material, com características físicas. Já Deus não se enquadra nessa esfera, pois é imaterial, não possui características físicas. Isto é, não podemos comparar Deus e o Homem Aranha de igual para igual. A analogia é inválida.

Quem foi que disse que a Bíblia é prova de que Deus existe? Primeiramente, a Bíblia é um livro religioso dos Cristãos, então não cabe a um ateu criticar a Bíblia. Do mesmo modo, o Corão é um livro religioso dos Muçulmanos, e não cabe a um Cristão criticar o Corão. A Bíblia foi feita para os Cristãos, se você não é Cristão, então a Bíblia não é para você. A Bíblia não serve para provar para um ateu que Deus existe. Existem outras maneiras para isso, por exemplo os argumentos a favor da existência de Deus.

Provavelmente, a pessoa que escreveu isso não conhece os argumentos para a existência de Deus. No caso, poderíamos citar o Argumento Cosmológico, o Argumento da Sintonia Fina, o Argumento da Moral, entre outros. Todos esses argumentos são embasados em filosofia, lógica, física, cosmologia, sociologia, etc. Não são velharias ultrapassadas como esse argumentinho do amigo imaginário.

Hora do Desafio!!!

Agora vem a parte legal da brincadeira. Quero propor um desafio para os neo-ateus, e também para qualquer pessoa que queira brincar um pouquinho com a lógica. Quero que alguém prove, usando argumentos lógico-racionais, que o Homem Aranha não existe. Quem quiser participar escreva nos comentários, mande um e-mail, faça como quiser. O importante é mostrar pra mim, de maneira lógica e racional, que o Homem Aranha não passa de uma farsa.

Quero só ver. Se os neo-ateus não são capazes de sequer provar a inexistência do Homem Aranha, como conseguirão provar a suposta inexistência de Deus?!

Aí vai um vídeo do canal Logos Apologética pra ajudar vocês um pouquinho.

Ah, e também deixo uma dica. Não adianta, meus caros, a ciência nunca vai poder provar a inexistência do Homem Aranha. Até mais!!

Você também pode gostar de