segunda-feira, 23 de abril de 2012

Refutação #5: O Dragão Na Garagem

Caros amigos e amigas leitores do blog "O Religioso Crítico", é com imensa satisfação que declaro, depois de mais de um mês sem novas postagens, o triunfante retorno das postagens semanais. A necessidade é grande, pois ainda existem muitos neo-ateus desprovidos de inteligência precisando de uma caridosa porção de argumentos racionais.

Já leu o meu último post? Se não, aproveite!! - Crítica #5: Retirada de crucifixos e símbolos religiosos no RS


"Cara, você não vai acreditar!! Tem um dragão na minha garagem!!"

Essa divertida técnica neo-ateísta, originária de um texto de Carl Sagan, deu o ar da graça em meu site em um comentário moderado recentemente. O comentário está localizado em um post também de refutação, assim como este, e será nosso objeto de estudos agora.

A técnica consiste basicamente em uma alegação. Alguém alega que há um dragão em sua garagem. No caso do comentário que mencionei o dragão em questão é um pouco mais elaborado, é um dragão vermelho que cospe fogo. Quando chegarmos na garagem dessa pessoa não veremos nada e diremos que este dragão na verdade não existe. Então esta pessoa começa a sugerir diversas desculpas, tornando impossível verificar a existência ou a inexistência desse tal dragão. Ao final, supõe-se que o mesmo se aplica para a questão da existência de Deus.

Agora vamos aos erros da técnica...

Primeiramente, não podemos comparar seres de naturezas diferentes, ou seja, seres físicos de não-físicos. Tratei sobre isso anteriormente no post Amigo Imaginário. Não podemos fazer uma analogia entre seres de diferentes esferas de discussão. Um dragão é um ser material, de natureza física, pois possui características físicas, como cabeça, corpo, cauda, ser vermelho e cuspir fogo. Deus é metafísico, ou seja, não possui características físicas ou materiais.

Aí o neo-ateu vai começar com as desculpas esfarrapadas. Ele vai dizer: "Mas o meu dragão é imaterial, e seu fogo e sua fumaça também são imateriais". Bom, neste caso sinto dizer, mas seu dragão não é um dragão, pois um ser imaterial não pode ser chamado de dragão. Um nome não surge simplesmente do nada. Há um significado para a nomenclatura para identificar um determinado ser ou objeto. Por exemplo, eu sei que um pão é um pão e não uma pedra, tudo por causa de suas características físicas. Mas se o pão perde todas as suas características físicas, não há mais sentido em chamá-lo de pão, afinal, ele já não é mais um pão.

O neo-ateu alegou que o dragão era vermelho e cuspia fogo. Ora, se ele é vermelho e cospe fogo ele deve ser material. Pronto, a discussão já pode ter fim aí mesmo. Mas vamos mais afundo nessa historinha...

A discussão sobre coisas materiais pertence à ciência e ao empirismo. Já a discussão sobre a metafísica pertence à Filosofia. Então, se o seu dragão é físico, você deve testá-lo de acordo com os nossos sentidos empíricos, como a visão por exemplo. Se ele não é físico, você deve prová-lo por meio de discussão filosófica, com base em argumentos lógico-racionais. Bem, eu conheço diversos argumentos para defender a existência de Deus, portanto tenho boas razões para crer em Deus. O seu dragão não possui nenhum argumento lógico favorável, o que me dá bons motivos para não crer nele.

Segue o fluxograma de um diálogo seguindo os termos da técnica. Todos os créditos para Snowball, do maravilhoso blog "Quebrando o Encanto do Neo-ateísmo". Visitem o blog, eu garanto que não se arrependerão.


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