quarta-feira, 23 de maio de 2012

Falácia do Espantalho e a Caricatura de Deus

Já leu o meu último post? Então leia:Aborto de Anencéfalos: A Eugenia Nazista no Brasil.

Nas últimas semanas eu tenho encabeçado algumas discussões e debates pelo facebook, através da página do site e através de meu perfil pessoal. Alguns desses debates foram realmente muito proveitosos, outros nem tanto. Mas o mais importante de tudo é que percebi uma falha muito grande, um assunto muito importante que me esqueci de abordar no site e que realmente não pode faltar em nosso acervo de artigos. Esse assunto é a conhecida Falácia do Espantalho.

Venho concentrando esforços ao longo desse ano em um projeto que pretendo concluir e apresentar à vocês, caros leitores, até o mês de julho. Se trata de um guia básico de falácias, onde irei tratar sobre argumentos falaciosos usando somente exemplos ateístas e neo-ateístas. Em outras palavras, será um guia de falácias neo-ateístas. Entretanto, algumas falácias de maior importância (como falácia do espantalho, o ad hominem e a falsa dicotomia, por exemplo) não podem esperar até julho para serem explanadas. Levaria muito tempo para tratar temas prioritários. Neo-ateus as usam com frequência e as pessoas têm que aprender a se defenderem disso. Outras falácias menos comuns podem esperar.

Bem, vamos ao que interessa. O esquema é simples: a explicação da falácia vem primeiro e logo em seguida vêm os exemplos. Então, vamos compreender como funciona a falácia do espantalho:

O nome Falácia do Espantalho é muito curioso, mas sua explicação é bem simples. Antigamente, para treinar os exércitos, usava-se bonecos de palha em forma parecida com a humana. Assim era muito mais fácil de se treinar, afinal seu oponente não pode se defender nem atacar. Trazendo para os dias atuais, podemos citar os lutadores de artes marciais que treinam naquela espécie de boneco de borracha (que infelizmente não sei o nome, se alguém souber, por favor, me ajude!). O boneco não vai se defender nem atacar, então é perfeito para o lutador treinar seus golpes.

A técnica funciona basicamente assim: alguém usa um argumento para defender uma determinada posição, e esse argumento é realmente muito forte. O interlocutor então se dá conta de que não será capaz de derrubar esse argumento, então apela para um uso desleal da inteligência. Ele distorce o argumento oferecido, transformando-o em um argumento fraco e fácil de ser refutado. Então ele derruba esse argumento e comemora como se tivesse refutado o argumento original quando, na realidade, ele derrubou apenas um espantalho desse argumento.

Esse tipo de argumento não passa, na verdade, de uma grande desonestidade intelectual, um verdadeiro "jogo sujo", para ser mais claro. Não há uma maneira de responder à alguém que usou dessa técnica através da lógica. A única maneira de responder à uma pessoa intelectualmente desonesta é desmascarando-a. Basta mostrar à essa pessoa ao público presente (se houver), que ela não passa de um vigarista querendo ganhar o debate a qualquer custo, apelando para técnicas desonestas.

É mais fácil bater em um boneco do que em um lutador, não é?


Vamos exemplificar?

Um exemplo que costumo usar sempre que falo desse técnica é a imagem que muitas pessoas têm de Deus. Muitos dizem que "Deus é um velhinho barbudo, sentado em um trono de ouro que fica no meio de nuvens branquinhas, de onde ele aponta o dedo em nossas caras dizendo quem vai para o Céu e quem vai para o Inferno". Já tratei muito sobre isso no blog, e para não ser repetitivo vou colocar os links dos posts em que falei sobre isso. Já refutei isso no post Amigo Imaginário, e em outro post intitulado Divindades Polisteístas. A questão do Céu e do Inferno eu já tratei no post Pecado e Inferno. Agora, vamos voltar à explicação.

Caso você conheça a verdadeira definição de Deus, ou já tenha lido os posts que citei acima, sabe bem porque e onde essa afirmação está errada. Na verdade, o que foi afirmado não condiz com o conceito verdadeiro de Deus, é um espantalho criado por neo-ateus, que deturpa o conceito verdadeiro e facilita a refutação do mesmo. Isso é um espantalho. Agora, com os conceitos verdadeiros em mãos, basta mostrar onde há a distorção no argumento e quais são as verdadeiras intenções do neo-ateu.

Só que hoje vamos mais afundo nesse tema...

Uma coisa que percebi ao longo dos meus estudos e dos meus debates, é que alguns espantalhos parecem durar muito mais do que o necessário. Esse exemplo que usei acima é um caso. Não corresponde ao verdadeiro conceito que temos de Deus, segundo o cristianismo, mas é uma caricatura de Deus. O mais perigoso disso tudo é que até mesmo alguns crentes (entenda por crentes aqueles que creem em Deus) acham que Deus é exatamente desse jeito, assim como essa caricatura descreve. Essas pessoas têm dois caminhos: ou mantém uma fé infantil durante toda a vida, o que não é lá uma coisa muito saudável; ou abandonam a fé que tem. Uma fé não amadurecida pelos estudos e questionamentos é uma fé fadada a morrer aos poucos.

Algumas pessoas que conheço abandonaram a fé em Cristo e aderiram ao neo-ateísmo justamente por causa disso: não amadureceram a fé. Insistiram em uma fé infantil. O neo-ateu acredita que este é o conceito que a Igreja tem de Deus, que este é o verdadeiro conceito de Deus, quando é somente um espantalho que durou mais do que devia.

Ora, neste Deus eu também não acredito! Ou melhor, nesta caricatura de Deus eu também não deposito a minha fé, porque, de fato, este não é Deus. O que acontece é que o que grande parte dos ateus rejeitam não é Deus de verdade, e sim uma caricatura de Deus. Essa caricatura pode ser apresentada à eles por diversas maneiras: pela escola, por algum amigo neo-ateu, ou até mesmo por um familiar ou religioso que ignora a teologia cristã (o que é o mais perigoso dos casos). Então a pessoa cresce, questiona esse Deus à ela apresentado, e se revolta contra isso. É evidente que isso vai ocorrer! Até eu me revoltaria contra um Deus assim! Mas o fato é que Deus não é assim.

O que deve nos guiar nesse amadurecimento da fé são os questionamentos, as dúvidas e os estudos. Quando digo questionamentos e dúvidas, não me refiro aos questionamentos sem fundamento do tipo "Por que Deus fez isso comigo?", que visam apenas desafiar Deus e seus desígnios, mas falo sobre a dúvida sadia, a que gera na pessoa uma vontade de investigar e estudar o problema em questão. E é disso que precisamos nos dias de hoje, de cristãos que saibam usar a cabeça, que aprendam a usar a inteligência que Deus lhes deu a seu favor.

Talvez algum dia os neo-ateus percebam que estão apenas batendo em um espantalho, e assim procurem conhecer a Verdade sobre Deus e o cristianismo. Afinal, como diz um grande amigo meu, "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (Jo 8, 32).

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Aborto de Anencéfalos: A Eugenia Nazista no Brasil

Curta "O Religioso Crítico" no Facebook.

Já leu o meu último post? Refutação #5: O Dragão na Garagem.

Hoje vamos comentar um acontecimento histórico que se deu dia 12 de abril de 2012. O Supremo Tribunal Federal, conhecido pela sigla STF, decidiu nesse dia a legalização do aborto de fetos anencéfalos. Eu sei que já se passou mais de um mês, meu post está um pouco atrasado, mas isso não muda nada. O assunto ainda é completamente digno de discussão.

Antes de qualquer coisa, quero compartilhar com vocês um vídeo que está rolando na internet onde um indivíduo comemora a decisão do STF como se fosse a conquista do hexa da Seleção na Copa do Mundo. Além disso ele ainda usa uma frase que será contestada ao decorrer do post.


Devemos condecorar o nosso caro amigo do vídeo com uma medalha. É o pior vídeo que já vi em toda a minha vida.

Perguntaram-me recentemente se eu era contra o aborto de anencéfalos. Eu respondi que, primeiramente, sou contra o aborto de uma maneira geral. Tenho bons argumentos para sustentar isso. Entretanto o nosso tema de hoje será especificamente a questão do aborto de anencéfalos. Se quiserem que eu crie um artigo falando sobre o aborto de uma maneira mais geral peçam-me nos comentários, na página do facebook ou por e-mail.

Então, vamos dar início...

Sou completamente contra essa decisão do STF, pois ela abre imensas brechas na legislação, remetendo à um passado já conhecido que todos nós bem sabemos no que culminou. Basta um pouquinho de esforço para nos lembrarmos disso. Aos que não conseguiram reconhecer essa ligação entre a decisão do STF e esse passado horroroso, aí vou eu...

Essa decisão do STF me fez lembrar do conceito de eugenia de um antigo ditador totalitarista muito conhecido de todos, ninguém mais, ninguém menos que Adolf Hitler. É, ele mesmo, Hitler. O Nazismo ficou muito conhecido por sustentar esse ideal de eugenia. Qual era a principal ideia do Nazismo? Criar um mundo melhor através de uma raça pura de pessoas supostamente superiores, com base em "critérios científicos".  Isso era a eugenia nazista. Por isso que eu repudio essa ideia maluca de querer fazer um mundo melhor. Tratei bem sobre isso no post A Ideologia dos "Homens Bons".

Agora essa história está se repetindo no Brasil, e as pessoas não têm noção do quão perigoso isso é. Agora a formação cerebral é o critério que define se você pertence ao grupo dos seres superiores, que têm direito a viver e são considerados pessoas, ou se você pertence ao grupo dos seres inferiores que devem ser exterminados para o bem da humanidade.

Isso abre lacunas muito graves na constituição. Por exemplo, o cérebro é um órgão vital, assim como coração e pulmões. A situação de um anencéfalo não seria diferente da situação de uma criança que nasce com má formação ou problemas no coração ou nos pulmões, afinal são todos órgãos vitais do ser humano, e sem eles a expectativa de vida da pessoa diminui muito. Com base nessa decisão do STF, coisas como essas podem ser legitimadas.

Uma pessoa não pode ser condenada por sua essência. Um negro não pode ser condenado por ser negro, nem um branco por ser branco, nem uma mulher por ser mulher, nem um deficiente físico por sua deficiência. Isso é algo que a pessoa não escolhe, não decide. Os anencéfalos não decidiram ser assim, não é justo condená-los por isso.

O critério para viver agora é esse: não seja anencéfalo. Se você não for, vive. Se for, azar. Assim faziam da mesma forma os Nazistas, só que com um critério diferente. Se você for ariano, vive. Se não, azar. E assim eles mataram 6 milhões de pessoas.

Direciono agora minha pergunta ao ilustríssimo indivíduo do vídeo acima. Será que isso realmente foi uma decisão inteligente? Você sabe o que você está comemorando?

Na verdade, pra ele não interessa se a decisão foi inteligente ou não, o que importa é sacanear os religiosos. Existe aí um grande revanchismo contra os religiosos, como se essa decisão fosse somente uma maneira de dizer aos religiosos: "Hahaha!! Vocês perderam!!". O que vale mesmo é ficar contra os religiosos, custe o que custar. Nem que para isso a pessoa tenha que apoiar um ideal nazista, não importa. O que importa é ser contra os religiosos.

Porém ser religioso e ser contra o aborto são coisas diferentes. Há aí um falso dilema. Não é necessário ser religioso pra ser contra o aborto, nem ser contra o aborto pra ser religioso. Mas talvez isso seja complicado demais pra algumas pessoas entenderem...

Poupo minhas palavras e deixo um vídeo do nosso querido amigo Junior do canal "Submundo Intelectual" falar por mim.


Você também pode gostar de