sábado, 22 de setembro de 2012

Especial Cinco Vias de São Tomás de Aquino - 2ª Via - A Via da Causa Eficiente


Olá, caros leitores do blog! Daremos continuidade ao especial do mês de setembro com o segundo post tratando sobre a 2ª via de prova da existência de Deus, escrita por São Tomás de Aquino em seu maravilhoso livro, a Suma Teológica.

Neste post estudaremos, de maneira simples e objetiva, a segunda via, conhecida como o argumento da causa eficiente. O argumento é bem simples, e contém alguns elementos que já foram estudados no primeiro post deste especial, Especial Cinco Vias de São Tomás de Aquino - 1ª Via - A Via do Movimento. Santo Tomás de Aquino diz que esta via baseia-se na causa eficiente. Vamos então aos textos...

"Encontramos nas coisas sensíveis uma ordem de causas eficientes, já que nada pode ser causa eficiente de si mesmo, pois se assim o fosse existiria antes de si mesmo, o que é impossível. Também não é possível proceder indefinidamente nas causas eficientes."

Todos sabemos, e isso é indiscutível, que existe uma cadeia causal. Tudo o que passa a existir tem uma causa eficiente. Isto é claro como a água. São Tomás de Aquino também afirma que nada pode ser causa de si mesmo. Isto já é sabido por todos nós, pois é um elemento já presente na primeira via, a Via do Movimento, onde estudamos os conceitos de Ato e Potência. Este é, portanto, um elemento semelhante ao da primeira via e já não é estranho a nós.

Da mesma maneira já conhecemos a premissa de que São Tomás fala quando ele diz que é impossível proceder indefinidamente na cadeia de causalidade. Isto já foi tratado no post da primeira causa de maneira um pouco mais elaborada, portanto não vou me delongar. Concluí-se que, até o momento, não temos nada de muito novo, a não ser que ao invés de falarmos de movimento estamos falando de causa e efeito.

"Em todas as causas eficientes ordenadas, em primeiro lugar está a causa do que se encontra no meio, e o que se encontra no meio é causa do que está em último lugar, tanto se os intermediários forem muitos, quanto se for um só; tiradas as causas, tira-se o efeito."

O que São Tomás quer dizer aqui, de maneira simplificada, é que há uma cadeia causal, onde A é a causa de B, que por sua vez é a causa de C, que é a causa de D, e assim por diante. Não importando quantos são os intermediários, ou seja, quantas causas estejam envolvidas no conjunto da cadeia causal, quando se tira a causa, tira-se o efeito. Isto é, se eliminarmos A, que é a causa de B, eliminamos B pois ele só pode vir a existir se for causado por A. Por conseguinte, os efeitos que vierem depois de B, sejam quantos forem, também serão eliminados.

"Logo, se não for primeiro nas causas eficientes, não será nem em último, nem no meio. Se, porém procedermos de forma indefinida nas causas eficientes, não haverá primeira causa eficiente, e portanto não haverá também nem efeito último, nem causas intermediárias, o que é evidentemente falso."

Vamos imaginar a cadeia causal como uma régua, onde cada causa intermediária é um valor inteiro e ela vá se estendendo cada vez que uma causa gera um efeito. Não importando em qual valor estamos ou quantos valores temos no meio dessa régua (causas intermediárias), essa régua deve ter um início obrigatoriamente, senão ela jamais teria um meio ou um fim.

Todos bem sabemos que não podemos proceder nessa régua da cadeia causal indefinidamente, ou seja, como se a cadeia causal fosse infinita. Isso já foi provado impossível no post da primeira via, a Via do Movimento.

"Logo é necessário admitir alguma causa eficiente primeira, à qual todos chamam de Deus."

Aqui temos a conclusão. O argumento é simples, e parecido com o primeiro argumento, o argumento do Primeiro Motor Imóvel, mas ele não deve ser subestimado, pois é fortíssimo, tanto que permanece de pé até os dias de hoje.

Vamos colocar o argumento em forma de silogismo, para que a visualização fique mais clara:

1- As coisas possuem uma ordem de causas eficientes;
2- Tudo o que passa a existir tem uma causa eficiente;
3- É impossível que algo seja a causa de si mesmo;
4- É impossível uma cadeia causal infinita;
5- Portanto, alguma causa foi a primeira causa eficiente no mundo;

6- Esta causa é Deus.

No caso de dúvidas ou sugestões, comentem no blog ou enviem um e-mail para nós. Continuaremos com o especial no próximo post, onde iremos tratar a terceira vida de prova da existência de Deus, a Via da Necessidade e Contingência, que deu origem ao que hoje conhecemos por Argumento Cosmológico. É minha via predileta, e acredito ser um dos argumentos teístas mais poderosos já desenvolvidos.

Todas as citações foram tiradas do livro de São Tomás de Aquino, Suma Teológica, livro 1, questão 2, artigo 3.

Um comentário:

  1. Qual a garantia que esta causa primeira seja deus?

    Entendo que possa haver uma causa primeira. Mas é correto afirmar que qualquer que seja essa causa, essa causa é deus? Não pode ser outra coisa?

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