segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O Absurdo da Vida Sem Deus




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“Se Deus não existir, tanto o homem quanto o universo estão inevitavelmente fadados à morte. O homem, como todos os demais organismos biológicos, deve morrer um dia. Sem a esperança da imortalidade, a vida humana caminha apenas para a cova. A vida humana não passa de uma faísca na escuridão infinita, uma faísca que aparece, emite uma trêmula chama e se extingue para sempre.

Portanto, todo mundo deve ficar face a face com aquilo que Paul Tillich chamou de ‘a ameaça do não ser’. Pois, embora eu saiba que existo, que estou vivo, também sei que um dia não mais existirei, deixarei de existir, morrerei. Essa ideia é atordoante e ameaçadora: pensar que a pessoa que chamo de ‘mim mesmo’ deixará de existir, e não mais será!”

(William Lane Craig, Em Guarda: Defenda a fé cristã com razão e precisão. Página 33)

Antes mesmo de iniciar meus estudos em apologética eu já me deparava com estas questões levantadas por Craig em seu livro. Acredito que qualquer pessoa já deve ter refletido sobre isso algum dia na vida.

Quando colocamos nossa efêmera existência diante da lembrança de que um dia morreremos, a sensação é de uma espécie de desespero. Hoje estamos aqui, olhando o céu e as árvores, contemplando a beleza do mundo que nos cerca, conversando e convivendo com as pessoas que amamos. Mas chegará um dia (e isto é inevitável) que tudo isso acabará. Chegará um dia que morreremos, que deixaremos para trás o mundo, suas belezas, tudo o que vivemos, tudo o que passamos, todas as pessoas que amamos...

A morte é comum a todos. Todos nós sabemos que vamos morrer um dia, mesmo que não nos lembremos disso sempre. Na verdade, fazemos questão de esquecer, de fazer de conta que isso não vai acontecer com a gente. Mas vai. E no fundo todos sabem disso.

William Craig demonstra em seu livro, Em Guarda, que faz uma diferença enorme a questão da existência de Deus quando nos deparamos com estas questões. Para Craig, a vida seria um absurdo se Deus não existisse.

Basta parar e refletir nessas simples questões que nos causam certo espanto. Somos pó, e ao pó um dia vamos voltar. Mas, se Deus não existe mesmo, o que acontece depois que morremos?

Se não há um Deus, nem imortalidade, então nós estamos fadados a perecer na inexistência eterna. Tudo o que nos resta é viver essa vida enquanto podemos. Depois da morte, tudo será uma escuridão eterna, e mais nada. Afinal, se tudo é somente matéria, então não existe algo como a alma humana, ou uma vida eterna após a morte. Não há nada após a morte. Há somente a morte, uma morte eterna, uma espécie de sono sem fim onde não nos restará nada, nem nossas memórias.

E as coisas que vimos? E as coisas que aprendemos? E as pessoas que conhecemos nesta vida? E as pessoas que tanto amamos nesta vida? O que acontecerá? Todas estão destinadas ao mesmo fim: o nada.

Afinal, de que valerá ter vivido como uma pessoa boa? Que valia tem em ajudar alguém ou ser bom neste mundo, se no final tudo acabará numa escuridão infinita? Qual é a diferença, afinal?

De que valerá ter respeitado os pais? Amado as pessoas? Que serventia há em ser fiel à esposa ou ao marido? Qual é a vantagem em praticar boas ações, se tanto os bons quanto os maus irão para o mesmo buraco?

Se não há um Deus e uma vida eterna após a morte, todo este mundo e tudo o que há nele perde o sentido. Se não há um Deus nem a imortalidade da alma, então tudo o que nos resta é esta vida para viver. Ora, isto abre brechas para os mais terríveis males: hedonismo, impunidade, relativismo moral, etc. Como o próprio Craig diz em seu livro, da Madre Teresa ao Osama Bin Laden, todos terão o mesmo fim. Então, qual é a diferença entre ser bom e ser mau?

Sem Deus o mundo perde o sentido, nossa vida perde todo e qualquer tipo de propósito. Não há base sequer para a moralidade, como vimos acima. Tudo se torna um absurdo sem tamanho. O desespero é tudo o que nos resta. Não há no que nos agarrarmos. Não há saída, não há mais nada que se possa fazer. Estamos sendo arrastados contra a nossa vontade para o frio da escuridão infinita.

É muito difícil ser ateu e conviver com essas realidades. São poucos os ateus que realmente vivem de maneira coerente com sua visão de mundo. O ateísmo implica necessariamente em tudo isso que abordei acima. Quando uma pessoa nega que exista um Deus ela tem que lidar com toda essa realidade assombrosa, assustadora, desesperadora. É muito difícil ser feliz vivendo dessa maneira, sabendo de tudo isso.

Não acredito que qualquer ateu sincero reflita sobre tudo isso e se sinta bem, e consiga dormir durante a noite. A falta de sentido e de propósito nos enlouquece.
Se uma pessoa se diz ateísta e não concorda e aceita todas essas coisas das quais falei, essa pessoa não vive sua vida de maneira coerente com sua cosmovisão. Em outras palavras, é um ateu que não vive como um ateu. É um ateu que vive como um teísta. É um ateu que, em última instância, acredita em Deus e nem sabe disso.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Refutando Um Comentário Infeliz


Primeiramente, quero agradecer de coração aos neo-ateus que comentam aqui no Blog. Vocês não têm ideia da quantidade de conteúdo que vocês geram. Cada comentário é conteúdo para mais de um post. Hoje darei um claro exemplo disso.

O comentário abaixo foi postado em um artigo que escrevi em abril deste ano (2013), sobre Cotas Raciais e Sociais. Pedi encarecidamente aos leitores e leitoras do Blog para que não respondessem ao comentário, pois eu dedicaria um post inteiro para refutá-lo. Agora vamos analisá-lo frase por frase. Depois de corrigir todos os erros ortográficos (e não eram poucos), o comentário ficou assim:

Do que adianta ser um teísta instruído de ciência e racionalidade, se você não usa nenhum desses no seu dia-a-dia? Que tal aplicar a sua racionalidade a sua fé? Você acha mesmo que 10 milhões de animais caberiam em uma arca que navegaria desgovernada pelos mares? Você acredita que nós, seres humanos, criaturas tão complexas, viríamos do barro? Você acredita que simplesmente orar ao seu deus por uma causa, resolveria este problema ao invés de tomar uma atitude realmente efetiva quanto a isso? Você não tem vergonha de acreditar nisso? São simples perguntas, mas que requerem muito raciocínio, e não são as únicas.

Antes de iniciar a refutação, cabe ressaltar que o comentário está totalmente fora do lugar. O post que escrevi falava sobre “Cotas Raciais e Sociais”, ou seja, o comentário não tem absolutamente nada a ver com o tema do post. Provavelmente o amigo leu o post, e se viu sem argumentos para refutá-lo. Assim decidiu partir para a ridicularização e humilhação, especialidades dos neo-ateus.

Agora vamos à análise:

Do que adianta ser um teísta instruído de ciência e racionalidade, se você não usa nenhum desses no seu dia-a-dia?

Desafio você a provar que não uso. Técnica de "Leitura Mental".

Que tal aplicar a sua racionalidade a sua fé?

Ok, vamos lá!

Você acha mesmo que 10 milhões de animais caberiam em uma arca que navegaria desgovernada pelos mares?

Neste momento ele quis me ensinar a interpretar a Bíblia da maneira dele. Para entender um pouco mais sobre exegese, recomendo essa leitura, do antigo Blog do Snowball.

Um dos livros mais delicados de se interpretar é o livro do gênesis. Como eu costumo dizer, não se deve ler nem uma fábula infantil ao pé da letra, quanto mais o livro mais vendido do mundo, a Bíblia. Vale lembrar que a interpretação aqui não é necessariamente literal. Para dar crédito a uma pergunta dessas, somente uma pessoa que não tenha o mínimo de noção do que seja uma metáfora.

Você acredita que nós, seres humanos, criaturas tão complexas, viríamos do barro?

Ora, mais fácil acreditar nisso do que acreditar que veio do acaso. Você realmente acredita que nós, seres humanos, criaturas tão complexas, viríamos do acaso? Sem mais...

Você acredita que simplesmente orar ao seu deus por uma causa resolveria este problema ao invés de tomar uma atitude realmente efetiva quanto a isso?

Ora, ora, se não é o bom e velho “Falso Dilema”. Já fazia um tempo que não nos víamos.

Muito bem, caros leitores. Vou esclarecer o que se passa aqui. O comentarista age de modo desleal ao usar uma falácia de Falsa Dicotomia. Esse erro de raciocínio consiste em limitar suas escolhas a somente duas opções, quando na verdade existem outras.

Darei um exemplo. Você está caminhando em uma estrada e se depara com uma bifurcação. Para que lado você vai? Direita ou esquerda?

Observem que eu limitei as opções de vocês para somente duas, “esquerda” e “direita”, quando, na verdade, vocês teriam muitas outras escolhas. Vocês poderiam simplesmente não ir para lugar algum, ficar onde estão, ou então poderiam voltar para trás.

Percebam que não considerei essas hipóteses. Isso foi proposital, justamente para que vocês não se deem conta dessas outras opções existentes. É justamente esta a intenção do comentarista acima, ainda que ele não saiba disso. Quem disse que eu tenho que escolher entre orar ao meu Deus ou tomar uma atitude? Ora, nada me impede de fazer as duas coisas. Do mesmo modo, nada me impede também de não fazer nenhuma das duas!

Você não tem vergonha de acreditar nisso?

Não, nem um pouco. Tenho milhares de intelectuais me fazendo companhia. Garanto que estou mais bem acompanhado do que vossa senhoria.

Eu teria vergonha se eu fosse neo-ateu. Isso sim é vergonhoso.

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