segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Refutando Um Comentário Infeliz


Primeiramente, quero agradecer de coração aos neo-ateus que comentam aqui no Blog. Vocês não têm ideia da quantidade de conteúdo que vocês geram. Cada comentário é conteúdo para mais de um post. Hoje darei um claro exemplo disso.

O comentário abaixo foi postado em um artigo que escrevi em abril deste ano (2013), sobre Cotas Raciais e Sociais. Pedi encarecidamente aos leitores e leitoras do Blog para que não respondessem ao comentário, pois eu dedicaria um post inteiro para refutá-lo. Agora vamos analisá-lo frase por frase. Depois de corrigir todos os erros ortográficos (e não eram poucos), o comentário ficou assim:

Do que adianta ser um teísta instruído de ciência e racionalidade, se você não usa nenhum desses no seu dia-a-dia? Que tal aplicar a sua racionalidade a sua fé? Você acha mesmo que 10 milhões de animais caberiam em uma arca que navegaria desgovernada pelos mares? Você acredita que nós, seres humanos, criaturas tão complexas, viríamos do barro? Você acredita que simplesmente orar ao seu deus por uma causa, resolveria este problema ao invés de tomar uma atitude realmente efetiva quanto a isso? Você não tem vergonha de acreditar nisso? São simples perguntas, mas que requerem muito raciocínio, e não são as únicas.

Antes de iniciar a refutação, cabe ressaltar que o comentário está totalmente fora do lugar. O post que escrevi falava sobre “Cotas Raciais e Sociais”, ou seja, o comentário não tem absolutamente nada a ver com o tema do post. Provavelmente o amigo leu o post, e se viu sem argumentos para refutá-lo. Assim decidiu partir para a ridicularização e humilhação, especialidades dos neo-ateus.

Agora vamos à análise:

Do que adianta ser um teísta instruído de ciência e racionalidade, se você não usa nenhum desses no seu dia-a-dia?

Desafio você a provar que não uso. Técnica de "Leitura Mental".

Que tal aplicar a sua racionalidade a sua fé?

Ok, vamos lá!

Você acha mesmo que 10 milhões de animais caberiam em uma arca que navegaria desgovernada pelos mares?

Neste momento ele quis me ensinar a interpretar a Bíblia da maneira dele. Para entender um pouco mais sobre exegese, recomendo essa leitura, do antigo Blog do Snowball.

Um dos livros mais delicados de se interpretar é o livro do gênesis. Como eu costumo dizer, não se deve ler nem uma fábula infantil ao pé da letra, quanto mais o livro mais vendido do mundo, a Bíblia. Vale lembrar que a interpretação aqui não é necessariamente literal. Para dar crédito a uma pergunta dessas, somente uma pessoa que não tenha o mínimo de noção do que seja uma metáfora.

Você acredita que nós, seres humanos, criaturas tão complexas, viríamos do barro?

Ora, mais fácil acreditar nisso do que acreditar que veio do acaso. Você realmente acredita que nós, seres humanos, criaturas tão complexas, viríamos do acaso? Sem mais...

Você acredita que simplesmente orar ao seu deus por uma causa resolveria este problema ao invés de tomar uma atitude realmente efetiva quanto a isso?

Ora, ora, se não é o bom e velho “Falso Dilema”. Já fazia um tempo que não nos víamos.

Muito bem, caros leitores. Vou esclarecer o que se passa aqui. O comentarista age de modo desleal ao usar uma falácia de Falsa Dicotomia. Esse erro de raciocínio consiste em limitar suas escolhas a somente duas opções, quando na verdade existem outras.

Darei um exemplo. Você está caminhando em uma estrada e se depara com uma bifurcação. Para que lado você vai? Direita ou esquerda?

Observem que eu limitei as opções de vocês para somente duas, “esquerda” e “direita”, quando, na verdade, vocês teriam muitas outras escolhas. Vocês poderiam simplesmente não ir para lugar algum, ficar onde estão, ou então poderiam voltar para trás.

Percebam que não considerei essas hipóteses. Isso foi proposital, justamente para que vocês não se deem conta dessas outras opções existentes. É justamente esta a intenção do comentarista acima, ainda que ele não saiba disso. Quem disse que eu tenho que escolher entre orar ao meu Deus ou tomar uma atitude? Ora, nada me impede de fazer as duas coisas. Do mesmo modo, nada me impede também de não fazer nenhuma das duas!

Você não tem vergonha de acreditar nisso?

Não, nem um pouco. Tenho milhares de intelectuais me fazendo companhia. Garanto que estou mais bem acompanhado do que vossa senhoria.

Eu teria vergonha se eu fosse neo-ateu. Isso sim é vergonhoso.

2 comentários:

  1. Primeira vez que visito este blog, e já gostei (dês do conteúdo e do formato). hahahaha... Parabéns e um abraço!

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