quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Algumas dicas para escrever melhor


Quem é que não deseja escrever bem? Seja para se sair bem na redação do vestibular, para fins profissionais ou somente por hobby, é quase unânime a busca por uma boa escrita. Redigir um bom texto pode ser um desafio para muitos de nós, e é por isso que eu trouxe para vocês hoje algumas dicas para melhorar sua composição. No entanto, não se trata de um método. São apenas algumas dicas avulsas para servir como guia na hora de rabiscar o papel.

A primeira dica, e mais óbvia de todas, é ler. Não há como ser um bom escritor sem ser um bom leitor. Mas não se trata simplesmente de ler; é preciso mais do que isso. É importante ter em mente que a leitura é um investimento. Sendo assim, não devemos investir nosso tempo e nosso esforço em algo que não seja digno deles. Devemos fazer uma boa leitura. E quando digo “boa leitura”, me refiro tanto ao leitor quanto ao livro. Não basta fazer uma boa leitura de um livro ruim. A leitura tem que ser boa tanto pelo leitor, que deve se esforçar para compreender o livro, quanto pelo livro em si, que não pode ser um livro qualquer. Temos que ser criteriosos na hora de escolher o que lemos, para não desperdiçarmos o nosso precioso tempo com leituras pouco relevantes.

A segunda dica talvez cause preguiça nos menos interessados, mas é de primordial importância também. É importante estudar gramática. Nada é mais desagradável do que um texto com erros ortográficos ou de concordância, por exemplo. Isso pode destruir sua credibilidade em um teste ou em um vestibular. O conhecimento da gramática de nossa língua evita esses tipos de erros. Quanto mais conhecemos a estrutura de nosso idioma, melhor nós nos comunicaremos, em linguagem escrita ou falada.

Outra dica ainda relacionada à gramática é estudar a gramática de outros idiomas, além do nosso idioma natural. Através do estudo de outra língua, nós podemos melhorar a compreensão da nossa. Por isso é importante também conhecer outro idioma, ou ao menos procurar estudá-lo. O mais comum de todos é o inglês, mas para quem quer escrever bem em português, o mais recomendável é estudar o latim. A gramática latina pode melhorar não só a compreensão da estrutura da língua portuguesa, mas a de todas as outras línguas neolatinas, como o espanhol e o italiano, por exemplo.

Como quarta dica eu recomendo o estudo da lógica e da retórica, como complemento ao estudo da gramática. Enquanto a gramática nos ajuda a escrever corretamente, a lógica nos ajuda a escrever as coisas com sentido, e a retórica trata do polimento do texto, isto é, da parte estética. Não basta só escrever corretamente. Se o texto não fizer sentido e for desagradável aos olhos do leitor, você não terá o alcance que deseja. Do mesmo modo, se o texto fizer sentido e for apresentável, mas estiver cheio de erros de pontuação ou de ortografia, de nada vai adiantar. É por isso que a gramática deve atuar em conjunto com a lógica e a retórica.

É importante também compreender o tipo de texto que você pretende escrever. Há determinados textos que precisam seguir uma forma mais ou menos comum, para se adequar ao estilo desejado. Por exemplo, quando escrevemos uma resenha crítica, temos que saber quais são as características daquele gênero textual, a fim de não extrapolarmos os seus limites.

Por fim, deixe de lado o manual de redação. A escrita é um processo criativo da mente humana, portanto ela usa muito mais a imaginação e a memória do que o raciocínio. As regras de redação do manual podem atrapalhar o processo criativo da composição e deixar o seu texto “quadrado”, sem cor, sem vida. Os manuais tentam passar um padrão de redação, e isso atrapalha o elemento criativo do homem. Uma redação não pode ser robótica, ter sempre três ou quatro parágrafos, apresentar o problema no primeiro, discorrer o assunto no meio e concluir no último. Não estou dizendo que as regras não são importantes, senão eu mesmo não me daria ao trabalho de escrever essas dicas que escrevi. O que quero que entendam é que essas regras não podem ser seguidas à risca, religiosamente, como se fossem um padrão absoluto e perfeito. Isso acaba com todo o processo criativo do texto.

Melhorar a escrita não é algo que se faz do dia para a noite. Isso leva muito tempo, mas com estudo e dedicação é possível notar sutis melhoras no decorrer de alguns meses. A vocação para a arte da escrita é uma importante variável, mas cabe lembrar que escrever é uma técnica que pode e deve ser aprendida e desenvolvida ao longo da vida. Ninguém nasce um Dostoiévski. Por isso mesmo que o escritor iniciante não deve desanimar, nem se intimidar com as críticas; elas mais ajudam do que atrapalham se você souber usá-las.

Como eu disse anteriormente, essas são só algumas dicas avulsas. Não tenho a intenção de oferecer um método completo para uma boa composição. A ideia é tratar rapidamente de alguns tópicos que acredito serem importantes para um aprimoramento na escrita. Espero que lhes seja útil.

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