quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Laerte, Gênero e Princípio de Identidade


Uma das primeiras coisas que aprendi estudando lógica aristotélica foi o princípio de identidade. De forma simples e resumida, o princípio de identidade é aquele que diz que uma coisa é ela mesma, e não outra. É através do princípio de identidade que dizemos que uma pedra é uma pedra, e não um pão. Sem esse princípio básico o raciocínio humano se torna simplesmente impossível.

Mais sofisticadamente, poderíamos definir o princípio de identidade dessa forma: um ente é idêntico a si mesmo. Essa é uma verdade axiomática. Todo axioma é, por definição, uma verdade evidente e incontestável. Não é preciso ser nenhum gênio para saber que uma coisa é igual a ela mesma, é uma questão de bom senso. Pois bem, o princípio de identidade é um axioma, ou seja, é evidente por si mesmo, e tudo aquilo que é evidente não precisa ser provado. Não só não precisa como não é sequer possível prová-lo.

Não se pode provar uma evidência. Ela deve ser aceita tal como se apresenta, pois é uma verdade evidente, que podemos ver com os olhos. Ninguém toma uma maçã nas mãos e diz que é uma laranja, pois isso é evidentemente falso. Eu não posso provar que estou em Jundiaí, pois é evidente que estou.

Logo, o princípio de identidade é necessariamente verdadeiro e incontestável. Tudo isso pode parecer muito óbvio - e realmente é - mas ainda não entrou na cabeça de muita gente, principalmente dos defensores da ideologia de gênero. Pretendo levar essa ideologia ad absurdum para ver se abro os olhos de alguns.

Lembro-me de ter lido, ainda no Ensino Médio, uma novela de Machado de Assis chamada "O Alienista". Nesta novela havia um hospício onde vários loucos estavam internados. Um deles chamou muito minha atenção: era o "louco do ovo". Ele acreditava piamente ser um ovo. Repetia incessantemente: "Deus engendrou a galinha, a galinha engendrou o ovo".

O que essa referência a Machado de Assis tem a ver com a ideologia de gênero? Simples: as duas ferem o mesmo princípio elementar da lógica aristotélica. Aliás, o princípio nem é da lógica, mas da realidade mesma, uma coisa que pode ser observada por qualquer um. Uma pessoa que acredita ser o que ela não é só tem um destino: a Casa Verde do Dr. Simão Bacamarte.

Acham que estou exagerando? Então visitem a página da Wikipédia sobre o cartunista Laerte e deixem as evidências falarem. Clique aqui, e veja se estou mentindo. O texto inteiro se refere ao cartunista no feminino, e todos sabem que ele é um homem, embora ele não aceite isso.

Uma coisa é fato: a realidade não pede nossa opinião, ela simplesmente está aí, e o que cabe a nós é aceitá-la tal como se apresenta. Se uma coisa é verdadeira, o fato de eu gostar dela ou não, não muda absolutamente nada. Ela continuará a ser verdadeira, eu gostando ou não, eu concordando ou não. Um ovo é um ovo e uma pessoa é uma pessoa. Fim.

Gostaria de saber se os defensores da ideologia de gênero também ignoram o princípio de identidade ao falar de bens, de dinheiro, etc. Todos sabem o valor absoluto de uma nota de cem reais. Duvido que algum deles confunda uma nota de cem com um rolo de papel higiênico.

A ideologia de gênero é uma afronta a um dos princípios mais fundamentais da estrutura da realidade. Acreditar nisso é o mesmo que acreditar que o verde é vermelho, que o triangulo é um círculo, que o sim é não e que o verdadeiro é falso. Não me assustaria se daqui alguns anos alguém saísse por aí dizendo que pedra é pão. Com vinagre e sal, a pedra vai ser bem mais fácil de engolir do que a ideologia de gênero.

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