sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Respondendo a Comentários - Moralidade sem Deus


Decidi que era bom escrever um artigo respondendo aos comentários que foram publicados no post sobre o absurdo da vida sem Deus (que pode ser acessado clicando aqui). Espero que seja útil para tirar algumas dúvidas dos leitores. É recomendável ler o artigo antes de prosseguir, pois os comentários se referem ao texto e algumas coisas podem ficar mal entendidas.

OBS: não me responsabilizo pelos erros gramaticais dos comentários. Copio e colo exatamente como estão.

"Na realidade, quando você diz "será uma escuridão eterna" você ainda imagina o ser, o existir mas não será mais. Deixaremos de ser, de existir, não haverá escuridão eterna. Não haverá nada. Será como era antes de nascermos. Claro que ninguém gostaria que fosse dessa maneira mas assim o é e assim será. Aproveita tua vida" (Anônimo)

Pois bem, quando eu digo "será uma escuridão eterna" eu estou fazendo uma analogia, trata-se de um raciocínio metonímico. Não será uma escuridão eterna ao pé da letra, e sim a inexistência, assim como era antes de passarmos a existir. Nisso o comentador está correto. Saímos da inexistência para a existência, e dela vamos sair para voltar a inexistência.

Se o comentador tivesse lido com atenção ao artigo, teria visto que uso a expressão "inexistência eterna" justamente para dar um pouco mais de rigor ao texto. Mesmo assim, a expressão "escuridão eterna" expressa exatamente a mesma ideia, de forma análoga, imaginativa.

O fato de não gostarmos que seja dessa forma ou não, não influencia em absolutamente nada na questão. O que achamos ou deixamos de achar é irrelevante. O importante é o que é. O comentador diz que será assim, mas não oferece nenhuma prova a respeito. As contradições desse tipo de pensamento já foram expostas no próprio artigo que ele leu, mas não entendeu. A vida, sem Deus, é absurda, como o próprio título diz.

O grande final é a parte que mais chama a atenção. O "aproveita tua vida" me lembra da antiga saudação monástica "carpe diem", que quer dizer exatamente "aproveite o dia". A diferença é que, dentro da cosmovisão ateísta, aproveitar a vida pode ser qualquer coisa, fazer o que bem entender, buscar o prazer e o benefício próprio em detrimento dos outros, já que no fim da história o bom e o mau vão para o mesmo vácuo eterno.

Não há razão para definir o que seria aproveitar a vida, de maneira objetiva. Para mim, aproveitar a vida pode ser prostituição, drogas e crime. Com que base alguém poderia dizer o contrário? Não poderia, já que não há Deus, nem absolutos, nem fundamentação para a moralidade. Ser bom é até uma desvantagem, já que geralmente o bonzinho se prejudica muito nesta vida.

"'todos terão o mesmo fim. Então, qual é a diferença entre ser bom e ser mau?' Isto prova que os crentes desconhecem completamente a diferença entre o bem e o mal. Um crente só pratica o bem por medo de ser castigado. Nisso os ateus são muito superiores. Quando um ateu pratica o bem, ele sabe que isso não lhe vai dar recompensa nenhuma, para além da satisfação de ter feito o bem. Como pessoa é muito superior a um crente que pratica o bem por medo do castigo." (Pedro)

Muito pelo contrário, pedro. Não há quem conheça melhor a diferença entre bem e mal do que os teístas. É justamente este o problema do ateísmo: não há fundamento para a moralidade. Bem e mal podem ser qualquer coisa, já que a moral é relativa.

Quanto ao fato dos crentes fazerem o bem somente por medo do castigo divino, Santo Tomás de Aquino já o respondeu no século XIII. Fazer o bem por medo do Inferno é errado, e o cristianismo nunca incentivou isso. Não é virtuoso quem só faz o bem por interesse, como se barganhasse com Deus. Isso só mostra o desconhecimento do comentador a respeito da doutrina cristã.

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