domingo, 25 de outubro de 2015

O que a Igreja diz sobre: Socialismo e Comunismo


“E se este erro, como todos os mais, encerra algo de verdade, o que os Sumos Pontífices nunca negaram, funda-se contudo numa própria concepção da sociedade humana, diametralmente oposta à verdadeira doutrina católica. Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios : ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista.”
(Quadragesimo Anno, Pio XI)

Estamos em um momento histórico do Brasil onde tem se falado muito a respeito do socialismo. O assunto retornou à pauta, devido aos problemas políticos que temos sofrido nas últimas décadas de governo. Muitos católicos ficam confusos quando entram numa discussão política, pois é moda hoje afirmar que não se deve misturar política com religião. Isso, no entanto, não passa de uma artimanha para retirar os religiosos da discussão pública, fazendo com que guardem as suas opiniões para si, assim somente os secularistas, ateus e materialistas teriam voz no campo do debate político.

A Igreja nos orienta com relação à política em todos os seus textos da Doutrina Social da Igreja. Convém a nós, católicos, estudarmos esses documentos e avaliarmos o que a Igreja tem a nos ensinar a respeito dessas questões. Agora, em especial, vamos ver o que a Igreja diz a respeito do socialismo, ou comunismo.

A citação no início do texto é de uma encíclica do papa Pio XI, escrita em 1931. O texto é claro e não dá margens para dupla interpretação. Não há a menor possibilidade de um católico ser socialista, ou de um socialista ser católico. Ou será um mau socialista, ou então será um mau católico. Mas por que isso se dá? Por um motivo muito simples: há contradições entre as duas coisas.

O socialismo, ou comunismo, vê a realidade através do prisma do materialismo histórico-dialético. De modo mais simples, para os comunistas o desenrolar dos acontecimentos na história seguem para um fim inevitável, uma espécie de destino da humanidade, como no pensamento determinista. Não há espaço para o livre arbítrio, pois o comunismo é materialista por essência. E se o comunismo é materialista, isto é, só acredita naquilo que é material, dentro do comunismo também não há espaço para o conceito de Deus, de alma humana, de céu e inferno, de redenção, de milagres e nada que tenha uma origem sobrenatural, imaterial.

Segundo Karl Marx, pai da ideologia comunista, a humanidade caminha inevitavelmente para a revolução, onde a classe trabalhadora oprimida tomará o poder da classe burguesa dona dos meios de produção. Quando isso acontecer, diz Marx, todo tipo de divisão de classes desaparecerá, e não haverá mais exploração do homem pelo homem. Seria como um paraíso na terra. O problema é que essa utopia toda se projeta no futuro e não pode ser julgada, pelo fato mesmo de estar no futuro. Se olharmos bem para os exemplos históricos de países onde essas revoluções comunistas ocorreram, o cenário é bastante diferente. Miséria, destruição, sangue e morte são os únicos rastros deixados por essa ideologia utópica. Milhões e milhões de mortos na revolução russa, mais milhões ainda na revolução chinesa. Os países que ainda hoje vivem sob esse regime totalitário não dão o menor espaço para o cristianismo. Basta olhar para o exemplo de Cuba, ou então da Coréia do Norte.

O comunismo, em nome da luta pela liberdade dos oprimidos, matou milhões de pessoas ao longo do século XX, e ainda mata até hoje nos países que ainda sofrem com ele. A bibliografia sobre o assunto é imensa, mas o Livro Negro do Comunismo é um título que pode demonstrar historicamente o que é comunismo e dar uma noção do tamanho do estrago que ele fez por onde passou. A encíclica Rerum Novarum, do papa Leão XIII também fala bastante a respeito do comunismo e de como a Igreja Católica encara essa ideologia.

A proposta socialista é falsa desde sua semente. A idéia de socializar os meios de produção, como diz Marx, é uma maluquice. Unir o poder político ao poder econômico só pode ter um resultado: uma opressão ainda maior do que a anterior, se é que essa opressão existia. Foi o que aconteceu na União Soviética, que sofreu com o regime comunista onde o governo controlava absolutamente tudo e o cidadão de bem não tinha liberdade para nada.

O comunismo e o catolicismo se contradizem justamente no ponto do materialismo. Os comunistas sempre foram anti-religiosos desde o início. O próprio Marx tratava a religião como o “ópio do povo”. O que ele queria dizer com isso? Que a religião era uma espécie de sedativo para os pobres, para que eles não se dessem conta da opressão que sofriam, ou então para que aprendessem a suportá-la sem reclamar. É evidente que isso resultou numa perseguição generalizada contra o catolicismo nos países comunistas. Igrejas foram queimadas e destruídas e muitos fiéis foram mortos simplesmente por serem católicos. Como é possível alguém que se diz católico defender um regime que fez tantas vítimas inocentes?

Não é permitido ao católico votar em partidos socialistas ou comunistas, nem sequer ajudá-los de qualquer forma que seja. Isso deixa claro o papa Pio XII pela confirmação das questões do Decretum Contra Communismum, de 1949. Não podemos votar e nem nos filiar ou ajudar de forma alguma um partido socialista ou comunista, sob pena de excomunhão automática.


Além das referências já feitas, há também muitas outras formas de se instruir sobre o que a Igreja diz a respeito do comunismo. O site do Padre Paulo Ricardo oferece um curso gratuito sobre o comunismo, e recomendo a todos que façam esse curso. Há uma bibliografia quase infindável sobre esse assunto, mas se eu fosse reduzir somente ao essencial diria para que lessem os principais documentos da Doutrina Social da Igreja e o livro “Comunismo: Ópio do Povo” do Venerável Arcebispo Fulton Sheen.

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